quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Prólogo

"Foi difícil para ele abrir os olhos pela primeira vez. A luz matutina traspassava a cortina branca e fina, invadindo o quarto e cegando lhe os olhos - que pareciam nunca terem sido usados - fazendo com que a primeira coisa que conseguiu pronunciar claramente fosse um mal humorado "por favor, alguém feche essa maldita janela ".
Apos 3 segundos de silencio, ele se deu conta de que não havia ninguém no quarto e decidiu levantar se para fechar blackout da janela, que estava totalmente aberto. Porem, no momento em que se pôs de pé, um mal súbito lhe ocorreu, fazendo sua cabeça doer e latejar, seus olhos arderem, e seu corpo ficar pesado demais para manter se de pé, obrigando o a sentar na beira da cama. Retirou vários fios presos em sua cabeça e em seu peito, que aparentemente mediam sua atividade cerebral e cardíaca, enquanto tentava juntar pistas de onde estava. Tentava se lembrar do que havia ocorrido, do por que de estar naquela cama e ate mesmo de quem era, mas ao invés disso, um enorme vazio em sua mente o confundia, deixando o mais apavorado com aquela situação. Sentou na ponta da cama e respirou fundo. Resolveu ficar calmo e relaxar para ver se encontrava alguma resposta, porem isso se mostrou mais fácil na teoria de que na pratica. A luz da janela que antes lhe incomodara tanto agora passava despercebida, tamanha a confusão que se encontravam seus pensamentos. Passados alguns poucos minutos, mais calmo e mais racional, ele resolveu procurar por alguma coisa que lhe lembrasse de sua identidade ou mesmo de que estaria fazendo ali naquele lugar. Decidiu levantar se e observar o quarto atentamente antes de fazer o primeiro movimento.
Era um quarto pequeno com paredes brancas. A sua frente estava a única porta da sala, e talvez também o único meio de sair dela, já que a janela que ficava ao lado esquerdo tinha grades grossas de ferro pelo lado de fora. Rente a sua perna, estava a cama na qual estivera deitado pouco tempo atrás, uma cama de solteiro pouco aconchegante, com lençóis e cobertas brancas e finas.
Ao lado da cama tinha uma mesinha, de mais ou menos um metro de altura e, em cima dela, aparelhos médicos que agora emitiam um bip baixo e incessante - porem suficientemente irritante - por terem sido desconectados de seu corpo. E uma câmera de vigilância estrategicamente posicionada no canto direito superior da sala gravava tudo que acontecia ali. 
-Ótimo, estou em um quarto de hospital!- resmungou.
Apos andar um pouco pelo quarto, descobriu na frente da cama uma prancheta com uma folha de papel e algo escrito nela. Aproximou se para ler melhor:

_____FICHA DE PACIENTE_______

Hospital Particular Hay Saiana
Rua: Miuc' Gardem #2008
>Nome: Alexssander Mark
>Idade: 29 anos

>Diagnostico: Coma
>Tratamento: Repouso
>Entrada no Hospital: 19/10/4143
>Alta:__/__/____
_________________________________

-Eu estava em coma?! - gritou ele, espantado. - Droga,- pensou - por que não me lembro de nada?
Ouviu passos no corredor e, atordoado com a situação, não teve coragem de chamar quem quer que fosse a pessoa que passava ali naquela hora. Também nem seria preciso, já que o seu grito havia chamado a atenção de quem estava perto da sala no momento. Num movimento súbito e extremamente rápido, Alexssander jogou a prancheta na cama e trancou a porta. Ficou olhando para a maçaneta, apreensívo, ate que ela lentamente deu uma volta completa e parou. A porta foi forçada para dentro, mas não abriu. Mais uma vez, e dessa vez com mais força, porem sem resultado.
-Tem alguém ai dentro? - perguntou uma voz feminina, enquanto continuava a forçar a porta - Por favor, abra a porta, é a enfermeira Dotts. Se não abrir, serei obrigada a chamar a segurança e abrir a força.
Um pânico incontrolável tomou conta de Alexssander. Ele olhava para todos os lados, tentando achar um meio de sair dali, embora soubesse que a porta era a única saída daquele quarto. A única para alguém normal.